domingo, 15 de dezembro de 2013

CAPÍTULO XII (último)

Cléo Jonas, de pé, na porta da lanchonete, a encarava com olhos cheios de raiva e ressentimento.
— Que cena comovente, não é? Um encontro entre dois ex-pombinhos que ainda se amam... Há quanto tempo Wilmer está casado? Duas ou três semanas? E já está pulando a cerca! Pobre Danni. Não merecia isso. E pobre do meu irmão também, que merecia menos ainda!
Demi se levantou rapidamente. Uma súbita tontura, porém, fez com que ela voltasse a se sentar.
— Cléo, eu...
— Você nunca me enganou, Demi. Eu sabia que isso ia acabar acontecendo mais cedo ou mais tarde! E pensar que estávamos comprando um presente para você! Joseph inventou de lhe dar um vestido novo e me pediu ajuda para escolher o modelo. Estávamos aqui andando pelo shopping center com toda a calma, quando vimos você... nos braços de Wilmer! Meu Deus, que cena deprimente... Joseph saiu correndo como se esses corredores estivessem em chamas!
Ignorando a tontura, Demi se levantou de novo e começou a procurá-lo.
— Onde está ele? Onde está ele? Preciso lhe dar uma explicação! Preciso lhe dizer o que realmente aconteceu!
— Desista, mocinha. Ele já foi embora. E duvido que possa ter alguma chance de explicar o que quer que seja. Ah, se você visse a cara dele quando Wilmer a beijou...
Pânico e desespero invadiram o coração de Demi.
— Mas não foi nada disso que vocês estão pensando!
— Não adianta, Demi. Você não engana mais ninguém.
Nem Joseph, muito menos eu. Sempre pude jurar que você não o amava e que voltaria correndo para os braços de Wilmer se ele pedisse. Disse isso mil vezes para o pobrezinho do meu irmão, mas ele nunca me escutou. Acho que o amor que sempre sentiu por você falava mais alto. Meu Deus, ele a esperou por tanto tempo! Demi fez uma careta.
— Como assim, o amor que sempre sentiu por mim? E que história é essa de ter me esperado por tanto tempo?
Cléo parecia estar muito impaciente.
— Pelo amor de Deus, garota, será que é tão cega assim quando o assunto é amor? Joseph é apaixonado por você há tanto tempo, que chega a ser irritante. Provavelmente se apaixonou no primeiro dia da faculdade!
Demi mal podia acreditar no que estava ouvindo, Joseph, apaixonado por ela há dez anos? Quanta loucura!
Porém, era uma loucura que fazia sentido. Agora, tudo ficava claro em sua mente. Os convites para as festas em sua casa, a insistência em manter a amizade, mesmo tanto tempo depois da formatura. Os telefonemas quando Wilmer a abandonava. Os almoços para distraí-la, quando se sentia solitária e deprimida.
Começou a se lembrar de tudo que fora dito e feito depois daquela terrível noite em que o convite de Wilmer chegara... e seu coração sangrou por ele. E sangrou por ela mesma porque só agora percebia que o amor sempre estivera lá, sem que o tivesse visto.
— Eu... eu não sabia. Ele nunca... Disse-me nada.
— Nunca disse nada, porque você jamais lhe deu qualquer oportunidade de fazê-lo. Sei que o vivia criticando, só porque ele tinha dinheiro! Dizia que ele não passava de um playboy mimado, que só sabia comprar carros de luxo e sair com mulheres bonitas. Você pensa que é fácil nascer milionário? Pois não é! Ele podia ter se transformado num viciado em drogas ou num alcoólatra, como muitos dos nossos amigos! Mas não. Ele estudou, cursou duas faculdades e sempre foi um sucesso em tudo que fez. E você reconheceu isso? Claro que não! Passou todos esses anos cobrindo-o de críticas e mais críticas!
— Por favor! — exclamou Demi. — Pare com isso! Não posso suportar mais!
Cléo, porém, não estava a fim de mostrar misericórdia à mulher que tinha destruído seu irmão.
— Por que você acha que ele saía com tantas mulheres diferentes? Loiras, morenas, altas, baixas... Para esquecer você, ora essa! Mas é claro que nada funcionava. Como poderia funcionar, se elas não eram sua tão preciosa Demetria?
Com as faces transtornadas pela fúria, Cléo continuava a falar:
— Quando você me disse outro dia na casa dos meus pais que gostava dele, eu comecei a ter esperanças. Mas que esperanças vãs, meu Deus! Você o destruiu, sabia disso? Se tivesse visto a cara dele quando Wilmer a beijou!
Demi sentiu que as lágrimas escorriam por seu rosto.
— Será que não entende, Cléo? Eu não amo Wilmer! Deixei de amá-lo há muito tempo! Sou absolutamente apaixonada por Joseph!
— Ora, garota, você acha que vou acreditar numa conversa mole? Não nasci ontem!
— Mas é verdade! Eu é que tinha medo de que ele não me amasse! Achava que... Bem, isso não importa agora. Encontrei Wilmer por acaso aqui nesta lanchonete e ele me perguntou como ia meu namoro. Eu disse que, apesar de ter sido pedida em casamento, ainda não tinha certeza dos verdadeiros sentimentos de Joseph em relação a mim.
Com um arremedo de sorriso, tentando mostrar uma calma que não sentia, Demi continuou a explicar-se para a implacável Cléo:
— Foi então que ele me respondeu para eu não duvidar da palavra de Joseph Jonas e que, se ele havia falado que me amava, então aquilo era realmente verdade. Finalmente aí consegui enxergar a verdade. Foi por isso que me atirei nos braços dele e o beijei. Por alívio e agradecimento. Nada mais!
Cléo levou a mão à testa.
— Mas que tamanha confusão!
Sim. Uma confusão enorme, que precisava ser desfeita o mais rápido possível.
— Você tem alguma idéia de onde Joseph pode ter ido? Meu Deus, ele deve estar pensando que eu voltei para Wilmer! Quanto absurdo!
— Acho que ele foi para casa. Nessas horas, Joseph prefere ficar sozinho. Meu irmão é muito reservado no que diz respeito às emoções. Ele esconde os próprios sentimentos. Finge que está tudo bem. Mas duvido que possa fingir sobre isso agora. Eu nunca o vi daquele jeito!
— Bem, eu preciso ir trás dele agora mesmo. Você acha então que ele está em casa?
— Provavelmente.
— Estou indo para lá agora. Se ele não estiver, pretendo revirar a cidade toda até encontrá-lo!
— Você está de carro?
— Não. Estou sem condições de dirigir, vou tomar um táxi.
— Não será preciso. Eu lhe dou uma carona.
— Ótimo. Vamos lá.
De repente, sentiu-se como uma ré à espera de julgamento.
Dando a volta no carro, abriu a porta do lado do passageiro e entrou. Sentou-se ao lado de Cléo, pesadamente, como se carregasse o mundo nos ombros.
Tinha certeza de que se Joseph não quisesse ouvi-la, sua vida já não teria o menor sentido.
Ao seu lado, Cléo mantinha-se em silêncio, como se soubesse que nada do que dissesse poderia ajudar, no estado de espírito em que Demi se encontrava.
Em silêncio, as duas percorreram os quilômetros que as separavam da casa de Joseph.
O carro de Joseph estava na garagem.
Ainda bem, pensou Demi.
Ela entrou na casa correndo e encontrou-o exatamente no lugar onde tinha imaginado. No terraço que dava para a piscina.
Ali estava ele, no mais completo silêncio olhando para o nada, um copo de uísque nas mãos. Era a própria imagem da decepção.
— Joseph... — Michelle começou a falar com voz vacilante.
Ele se virou rapidamente ao som de sua voz. Cléo tinha razão.
O rosto do homem de sua vida era uma máscara que falava de dor e de sofrimento. Sentiu uma vontade imensa de abraçá-lo com força, de poder mudar aquela expressão do rosto amado.
— O que veio fazer aqui, Demi? Decidiu, enfim, me contar que descobriu que ainda ama Wilmer? Bem, minha querida, não precisa, não precisa se incomodar. Eu mesmo vi com os meus próprios olhos. É ele quem ainda manda em seu coração. É ele quem sempre mandará em seu coração. Agora pode ir embora.
Joseph olhou-a. Demi viu em seus olhos todo o sofrimento que ele sentia.
Em voz baixa, continuou:
— Não há motivos para prolongar esse sofrimento. Fique tranquila, não vou me matar, embora tal pensamento tenha me passado pela cabeça quando vi o beijo que deu em Wilmer.
— Pelo amor de Deus, Joseph! Você viu tudo errado! Entendeu tudo errado também! Não é nada disso que está pensando!
Ele deu um sorriso triste.
— Eu vi tudo certo, Demi. Não há nada de errado com meus olhos. Agora, se não se incomoda, gostaria de ficar um pouco sozinho.
Ela levantou a cabeça.
— Não pretendo sair daqui, enquanto você não ouvir tudo o que tenho a dizer!
Joseph deu de ombros.
— A velha Demi de sempre, que adora ter a última palavra em tudo. Bem, pode falar e quando terminar, vá embora, me deixe sozinho e não volte nunca mais.
Ela não sabia por onde começar. Quando se deu conta, estava tropeçando nas próprias palavras.
— Eu... Encontrei-me com Wilmer por acaso. Aí ele me perguntou como estava indo nosso namoro e eu lhe disse que ainda não tinha certeza de seu amor por mim. Então ele me falou para parar de duvidar, que, se você tinha dito que me amava, era porque me amava de verdade.
Respirou fundo e com um meio sorriso, tentou continuar com sua explicação:
— Daí eu fiquei tão feliz, que me atirei nos braços dele e o beijei. Aí... aí... Ora, daí ele nos desejou felicidades e foi embora. No instante seguinte, Cléo estava diante de mim, dizendo aquele monte de desaforos, parada na frente da porta da lanchonete.
Outra pausa. Ela não queria acreditar, mas algo na expressão de Joseph, um fugaz brilho nos olhos, indiciou-lhe que talvez nem tudo pudesse estar perdido.
Demi contou:
— Ela quase acabou comigo e me contou que você... que gostava de mim há anos. F... foi a maior surpresa da minha vida. Eu... realmente não sabia.
— A boa e velha Cléo...
— Sim, a boa e velha Cléo. Porque era exatamente isso que eu precisava ouvir. Eu te adoro tanto, Joseph, que acho que vou explodir. Mas ainda tinha dúvidas a respeito de seus sentimentos. Também, o que você queria que eu pensasse? Durante esses anos todos, conheci centenas de namoradas suas. Uma mais bonita do que a outra. Para mim, você não passava de um grande playboy. Mas agora, graças a Wilmer e a Cléo, não duvido mais de seu amor.
Então, com um suspiro, Demi finalizou:
— Mudei completamente de idéia. Você não é um playboy sem coração. É o homem mais maravilhoso do mundo. E, se me pedir em casamento de novo, vou dizer "sim" tão depressa, que você vai ficar tonto!
Joseph levantou uma sobrancelha.
— Você... você está falando sério?
— Nunca falei tão sério em toda a minha vida, Joseph.
— Então você não ama mais Wilmer?
— Claro que não, seu bobo! A troco de que você acha que estou aqui de pernas bambas, morrendo de medo de ser mandada embora? Se eu ainda sentisse alguma coisa por Wilmer, é claro que nem teria vindo até aqui, sua casa! Não, Joseph. Wilmer é página virada na história da minha vida. Ah, e sabe o que ele me disse? Que realmente gosta de Dannielle. E eu acreditei. Ele me pareceu muito sincero. Ou tão sincero quanto ele consegue ser!
Joseph continuou a observá-la por mais alguns instantes, então um sorriso apareceu em seus lábios.
— Eu me apaixonei por você no instante em que entrei naquela sala de aula e a vi. E levei dez anos para conquistá-la. Esperaria mais mil, se fosse necessário.
Demi sentiu um nó na garganta, queria dizer tantas coisas, mas conseguiu balbuciar apenas:
— Oh, Joseph...
— Case-se comigo e me faça um homem inteiro. Inteiro...
Aquela era a palavra certa. Ela dizia tudo. Porque, sem Joseph a seu lado, Demi também seria apenas meia pessoa. E ele sentia a mesma coisa a seu respeito. Podia ler aquilo em seus olhos.
— Sim! Sim! Sim! Um milhão de vezes, sim!
E jogando a bolsa em cima de uma cadeira, atirou-se nos braços do homem que amava.


         O dia do casamento de Demi e Joseph amanheceu claro e ensolarado.
Os jardins da casa dos Jonas estava todo enfeitado, preparado para a maior cerimônia que a sociedade local já vira.
No altar que havia sido montado no jardim central, um Joseph elegantíssimo e extremamente nervoso aguardava pela chegada do amor de sua vida.
Ao seu lado, no altar, estavam sua mãe, Cléo e o pobre Hugh.
Nisso, a Marcha Nupcial se fez ouvir.
Depois de alguns instantes de expectativa, viu Demi caminhar em sua direção. Vinha andando de braço dado com o sr. Jonas. Parecia uma figura etérea, naquele vestido branco enfeitado com flores de laranjeira.
Joseph sentiu uma emoção tão grande, que quase não conteve um suspiro. Quem diria! O maior exemplo de amor e responsabilidade, lealdade e segurança, carinho e proteção de sua vida trazia para ele a mulher amada... Realmente, ele e Demi, agora tinha certeza, teriam uma vida feliz e plena de realizações.
Com um sorriso a embelezar ainda mais o rosto bonito, foi de encontro à sua noiva. De encontro à felicidade.                                                                                          


Fim...

E aí gostaram da fic ?? Daqui a pouco vou postar a sinopse de um nova história que eu li e me apaixonei pelo livro ;)




6 comentários:

  1. Amei a história *----*

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  2. Esperava um final melhor!! Porém adorei a história pra mim tinha que ter uma briga feia e tals !!

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  3. Tava quase te matando por vc não está postando.. ja ia te cobrar nas outras fic que vc comenta rs.. AMEI TUDO!!!

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Me deixe feliz com o seu comentário, espero que tenham gostado... Kisses s2